domingo, 1 de julho de 2018

Voltarei…


Quando o dia raiar e o sol sussurrar
todas as palavras de amor
que a alma esqueceu.
As palavras voam pelos telhados:
Já amanheceu!

Por onde andaste
pergunta pertinente
criança esquecida
trancada pela vida

Sonhos saqueados à nascença
como todos os poetas sou utópica
e as cicatrizes
são as páginas rasgadas
de um livro sem futuro.

Quando o dia raiar e o sol sussurrar
voltarei…
Que me esperem os poemas
aqueles, que sem saber
Inventei.



O teu gosto…


Quisera o som do desassossego
a memória em dias claros
a saudade ou aconchego
tão perto e tão longe
a madrugada.

Quisera, porque, não, a melodia
que as cigarras cantam
noite fora
a certeza tanto é mãe
como madrasta
e a estrada pode ser a desventura
de um dia tórrido.

Quisera meu amor
a tua voz
soletrar o meu nome
devagar
a ausencia vida fora
além do tempo
o teu gosto
um eterno recordar.



Ruído...


Recordar é
meio caminho andado
a vereda sem recuo.
Nem sempre é passo largo.

Depende da saudade ou desapego.

Quando o ruído é tudo o que resta
aos sentidos embriagados
pelo som do recomeço.



sexta-feira, 29 de junho de 2018

Eu sei...

Quando a razão me pede: 
Escreve um poema de amor.
Levo a mão ao coração e busco por entre as chagas,
uma margarida em flor.
Apressa-se a saudade e atira aos meus pés; adagas.
Ato a margarida a uma roseira e até os espinhos são fúteis facas.
Cortam o condão de versos de amor dizer.
Porém... junto às folhas caídas as raízes sobrevivem,
e no meio do labirinto o seu rosto é matiz.
Pode ser azul celeste, ou, então, é verde água.
Até o branco dos cabelos é lilás ou violeta;
e por entre as silabas nasce aos meus olhos o poema...
Fraco, eu, sei, mas abre os braços à vida!
Virado ao contrário são os meus sonhos fadário,
columbina, imaginário...
Pétalas surripiadas à minha alma cansada.
De todos os versos que neguei
nasceu o mais completo, eu sei!



Poema revisto.
 (Original de 2014 no Blogue http://porentrefiosdeneve.blogspot.com/)

domingo, 3 de junho de 2018

Esqueço a saudade...


Sobre os passos que faltam às horas,
há uma sombra que escurece a calma.
Entardece e é a hora das cigarras,
 o que é feito de ti; inquire a minha alma.

Correm por aqui e por ali mil torturas!...
Nos minutos que me levam a palma.
Enquanto o dia se esvai nas fisuras.
Não sei se a visão é um dom ou é trauma.

Assim… perdida de mim sou um otimo actor!
Esqueço a saudade, esqueço o teu rosto.
E até o desejo é caso perdido: o oposto.

Do ocaso que ilumina a terra com gosto.
Chega a noite e a escuridão faz furor.
Mas é um suspiro quem se afunda sem dor!




quinta-feira, 24 de maio de 2018

Lembranças...


Não sei se é o tempo que é picuinhas.
Ou se o momento perdeu caducidade.
Nem sequer sei se é tua ou minha a verdade.

Dizem que a água mais pura mata a sede com vontade
e que o sol aquece a alma.
Dizem que o tempo tudo esquece e que frio é passageiro.
Dizem… Dizem!

Foram tantas as palavras em contramão.
Tantas as vontades naufragadas.
Tanto medo!... E a saudade secumbe
às mãos da ilusão.

Não sei, nem sequer quero saber a cor da terra,
no dia em que a vida for um sopro.
Até lá: correm as ideias desvairadas…
As mãos buscam o coforto de outras mãos.
E o corpo já esqueceu a dor.

Não sei se é o tempo que é picuinhas…
Se sou eu que acredito em pirilampos…
Mas sei que ele é o manto
que apaga dos dias a lembrança!


Miragem...


Correm os dias ao sabor do vento.
Para tras a memória daquilo que não é.
Gasta a ilusão sem qualquer visão.
Mas as asas são fracas e o credo é de barro.
Até as lágrimas secaram e o sol empurra o escuro…
Enquanto o coração se abre sem banzé!

Que é feito de ti, sonho que desconheço.
Que é feito das promessas e das noites de luar.
Que é feito da vontade… ou do vagar.
Se corres apressado e nem te apercebes.

Grita o silencio nos olhos cavados.
O amor empurraste para a tumba fria.
Mas não reparaste tal foi a correria!...

Nada restou… foi só tempo perdido.
Gritam as paredes à tua pasagem:
O rei vai nu… ou será miragem.



Poesia falada, Mulher Alentejana.