sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Vontade manhosa…

 

Por vezes apetece-me escrever

um poema de merda, muito simples.

Um daqueles que ninguém queira ler.

Muito menos; instigue os limites.

 

Uma coisa trivial, simples parecer

de alguém que sabe que omites

uma vontade pertinaz de crescer.

O auge que se esvai em chiliques.

 

É!... e nesse poema de merda, o âmago

de nada dizer, como quem não quer;

como quem não pensa no amargo.

 

Que é esta ideia maluca de tudo ser…

Qualquer coisa…. Só por descargo.

Uma vontade manhosa de entender.

 

Os pesos da alma...

 

Se amanhã de manhã uma luz pairar

nos olhos de alguém que não sabe ver.

Direi que são clarões prestes a quebrar

as sendas diárias, um riacho a correr…

 

Se pela tardinha o cego cantar.

Uma triste canção e no estribilho o ser,

der o lamiré a quem estiver a escutar.  

Só sei que a virtude lhe roubou o ter.

 

Os pesos da alma tem um pouco de tudo.

Bem sei que o sol também descora a vida

mesmo que o cego esteja desnudo.

 

Que ténue refrão numa rota despida.

Se é nas vielas que se perde do mundo.

Se até o amor morre na sombra tingida.


sexta-feira, 26 de junho de 2020

Pode um poeta escrever patetice…


Que vou pensar de um tempo sem freio.
Das mil verdades que ouço por aí!…

Pode um pateta ignorar um passeio.
Onde as almas andem sem receio.
Pode um poeta escrever patetice.
Mesmo que o palco esteja vazio.
Mesmo que as ideias sejam tapume.
Mesmo que as vontades sejam parolice.

A visão destes dias é sombria.
O ego quer-se longe da porta.
Não pode um poeta fechar os olhos…
Quando a razão é tão fria e torta!



terça-feira, 9 de junho de 2020

Um verso à farpela, ou para a farpela…


Quem te disse que a roupa só é a manta do corpo?
Penso nisto noite dentro, nas horas de maior frio.
Desconheço a certeza ao nascer do sol, parada no oposto,
na ignorância traiçoeira que te envolve como um rio.
De mágoas desgarradas pelo desconhecimento vazio.
Quem te disse que a roupa é só a manta do corpo?

Quem te disse que o meu sorriso é apenas isso?
Leviana tentação que te mantém no mesmo sítio.
Mesmo que o olhar seja no mínimo, mortiço…
Que os trapos que te tampam sejam o Suplício…
De brocados lavrados como remendo cavadiço.
Quem te disse que o meu sorriso é apenas isso?

Se não vês que a ocasião nem sempre salva a indumentária.
Que um sorriso pode ser a certeza disso mesmo.
Que a roupa que te tapa nada mais é que diária.
Mesmice sedenta sobre o corpo e está claro…
Que quem olha mais além é quem segue a luminária…
Que a tua alma denota na farpela imaginária!




sexta-feira, 1 de maio de 2020

Esse Maio!...


Há um Maio em sepulcros imaginados
A vitória espelhada nas solas de sapatos rotos
Que diz a história das ilusões desgrenhas
Das vitórias ao suor e à pele roubadas.

Nas ruas um mar de gente, que sentiu
No estômago a fome que rugiu
O medo, a morte dos mancebos
Desventradas as mulheres e os credos

Permite a dois mil e vinte a indecisão
Mas acredita que uma papoila é união.


sábado, 4 de abril de 2020

Poetas de Lisboa...


Poetas de Lisboa…

Vejo por aí os poetas, em letras de fraca ousadia.
Falam de Lisboa, de ruas sem vida, ironia!...
É esse estar sem passar, essa dormência sem ver…
As ruas desta cidade, o passado a acontecer.

Vejo por aí os poetas sem o intento que procurei.
Falar da cidade com luz em versos sem qualquer rei.
Limitada é a alma com receio do que não vê.
Nem as calçadas entendem; o porquê!

Vejo por aí os poetas, escrever dos sonhos em cruz.
Quando a morte ordena que o presente seja de luz.
E as ruas desta Lisboa, cheias de sombras sem vida.
Sejam o eco da esperança, na mais larga avenida.




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Poema sem nome…


Tu que falas e falas e negas a circunstância
Que inventas pretextos para esse olhar vago
Que gritas e pensas o não sem grande coerência
Que esperas do sol, ou da chuva de um dia frio.

Que esperas do amor, do clamor, da fragância
Que a água ao cair oferta mesmo que seja vazio
O tempo que levas na busca pela existência
Se esperas de mim, o que esperas de um rio

Que afogue a certeza, que cale a vontade
Que emudeça qualquer grito de revolta
Que te oiça e omita esta dúvida perene

Não sabes, ou finges muito bem essa insanidade
É o amor impulsor e a insensatez até se afasta
Quando nos atrevemos a enfrentar a verdade.





Poesia falada, Mulher Alentejana.