quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Por não saber onde estás

 


No mais profundo silencio

neste mar que esvazia os sonhos

venero o chilrear dos pássaros

e penso em ti…

 

Por não saber onde estás

e nem sequer se existes no mundo real

é como se a onda inundasse a terra

e o pensamento é surreal.

 

Deixo que voe este pensar

embalado na mais bela melodia

que é o trinado do rouxinol.

Enquanto o tempo foge apressado

e os versos caminham sem sentido

tentando dar sentido à vida

que é de fugida.

 

Onde estás…

Quem sabe perdido na noite vadia

ou preso em frágil utopia

podes estar ao virar da esquina

ou a olhar…

Os versos que voam e nas asas levam

a minha sina.

 


 

 

 


terça-feira, 29 de junho de 2021

Nirvana...


Se os dias que passam são a estrada.

Triste de quem olvida o brilho do sol.

O Verão e o Inverno dos dias são enxada.

O frio e o calor são do tempo o lençol.

 

A terra está sentida e ao núcleo atracada,

uma sacudidela em jeito de paiol.

Os polos derretidos, no degelo retirada…

a esperança do futuro. Oceano sem farol.

 

A inercia absoluta e a avareza insana.

Nem sequer veem o planeta a chorar.

Os peixes a morrer, o mundo a afundar.

 

Ó sorte de abismar, loucos sem altar.

História gaseada, se ela não se engana…

A infeliz avidez não passa de nirvana.





A sua estrada...


!

Foi no campo que a ceifa começou

e no barro a minha alma foi lavrada.

Na planície a minha mente debruou

os socalcos de uma terra abençoada.

 

Foi dos dias em que tudo despontou…

A jornada que carrego, já cansada!

As memórias de uma gente que suou

as agruras de uma vida, a sua estrada.

 

Deste Tempo que o tempo endoidou.

Como é gasta a palavra enviesada.

Abafada, numa estrada, que levou…

 

Os sonhos que a charneca engalanada.

Impeliu na criança que um dia recriou…

         A palavra que vestiu, endiabrada! 




 

sábado, 20 de março de 2021

Masmorras da Mente...

 

Expõem ao ar o delírio.

Os loucos que passam na vida.

Fico a imaginar o martírio.

Estampado na insânia atrevida.

 

Os queixumes são mera dormência.

São relâmpagos na fria masmorra.

São acendalha sem importância.

A espera que na vida lhe ocorra…

 

A negrura de um destino cativo.

Pela falta de ideias com graça.

Qualquer louco no fim é nativo.

Da doidice de uma mente sem raça.





sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Vontade manhosa…

 

Por vezes apetece-me escrever

um poema de merda, muito simples.

Um daqueles que ninguém queira ler.

Muito menos; instigue os limites.

 

Uma coisa trivial, simples parecer

de alguém que sabe que omites

uma vontade pertinaz de crescer.

O auge que se esvai em chiliques.

 

É!... e nesse poema de merda, o âmago

de nada dizer, como quem não quer;

como quem não pensa no amargo.

 

Que é esta ideia maluca de tudo ser…

Qualquer coisa…. Só por descargo.

Uma vontade manhosa de entender.

 

Os pesos da alma...

 

Se amanhã de manhã uma luz pairar

nos olhos de alguém que não sabe ver.

Direi que são clarões prestes a quebrar

as sendas diárias, um riacho a correr…

 

Se pela tardinha o cego cantar.

Uma triste canção e no estribilho o ser,

der o lamiré a quem estiver a escutar.  

Só sei que a virtude lhe roubou o ter.

 

Os pesos da alma tem um pouco de tudo.

Bem sei que o sol também descora a vida

mesmo que o cego esteja desnudo.

 

Que ténue refrão numa rota despida.

Se é nas vielas que se perde do mundo.

Se até o amor morre na sombra tingida.


sexta-feira, 26 de junho de 2020

Pode um poeta escrever patetice…


Que vou pensar de um tempo sem freio.
Das mil verdades que ouço por aí!…

Pode um pateta ignorar um passeio.
Onde as almas andem sem receio.
Pode um poeta escrever patetice.
Mesmo que o palco esteja vazio.
Mesmo que as ideias sejam tapume.
Mesmo que as vontades sejam parolice.

A visão destes dias é sombria.
O ego quer-se longe da porta.
Não pode um poeta fechar os olhos…
Quando a razão é tão fria e torta!



Poesia falada, Mulher Alentejana.