quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Povo de pés descalços…


De que servem ideias aleatórias… utopia ou realidade…
As marés são como as colmeias, vazias ou cheias…
A inutilidade depende quase sempre da vaidade.
As vozes casuais são inúteis e das mãos frias
não brotam borboletas.

Ai… triste sina malfadada, povo de pés descalços…
Embarcas no silvo da serpente e raramente
ergues ao alto o esplendor. Costas curvas,
olhos tristes, triste fado embriagado.
Parco engodo em que caíste.

De que servem ideias aleatórias se a história se repete.
Embora digas que não: És marioneta na sua mão.
E enquanto o diabo esfrega um olho, dás por ti…
Estás no chão!




quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Tudo o que me resta…


A ilusão é uma caixa de pandora.
Mito ou realidade, esperança ou utopia.
Pode ser apenas a vontade, sem primazia!

Então… porque sinto que o mundo caminha ao contrário!...
Revejo nos dias os rumores de ontem.
Choram as pedras, sufoca a terra, morre a esperança.
Choram os ecos abandonados à sorte.

A fraude está na supremacia enjeitada.
Na palavra sem palavra, de fato e gravata.
Está na promessa, gasta.
E eu… pobre poeta de sarjeta:
Sinto que o mundo caminha ao contrário
e tudo o que me resta…
É a futilidade de um poema!



quinta-feira, 26 de julho de 2018

Diques...


Sabes…aquela nesga de céu que ilumina a alma.
Pode ser de um cinzento cor de chumbo.
Pode ser de um azul marinho e cintilante.
Até pode ser afogueada pela cor do enxofre
Mas será sempre a clarabóia para a eternidade!...

Por isso: não te canses naquilo que é supérfluo.
Deixa que o rio faça o seu percurso,
os diques são o suporte das águas,
mas… vem a tormenta e arrasa a estrutura.

E é a resiliência do castor quem constrói a esperança!


sexta-feira, 13 de julho de 2018

Simplesmente…


Até ao pequeno instante em que o ser hesita
sobrevive a certeza absoluta:
Nada é constante, a não ser… o amor.
Mas se o sopro é uma restia.
O segundo é explendor!

Serás tu a mistura exótica nos confins da certeza.
O perfeito sentir…. A explosão do átomo…
Ou serás, simplesmente… um desejo inventado.

Não sei; nem pretendo entender
se o que move a vontade
é o destino a correr.
Ou se é simplesmente o ego a sofrer.





quinta-feira, 12 de julho de 2018

E se um dia…


Porque cedo ao silencio se ele é viral.
Até o piar dos pássaros é silencioso.
As paredes são velhas e as ruas vazias
recordam aquilo que acho esquecer…
Perdem-se os passos nas pedras frias
e a lua é a única companhia
Mas… é branca e fria!
Como fria é a cama que os ossos acolhe.
Como frio é o vento que me faz temer;
e se um dia ignorar o silencio:
Será que o tempo continua a correr.




Eternidade…


Quero, porque, quero!...
Sentido algum.
Mais hoje e amanhã o rodopio…
Corre… corre atrás do tempo enviesado.
Deixa… tudo é complicado.
A alma, o tempo, não passa de fado.
Tudo é nada e muito é nenhum.
Quero, porque, quero!...

Que a alma voe na madrugada.
O choro se perca na valeta.
E a saudade pernoite na eternidade.



Suplica…


Sou um pequeno grão solto no vento
Mas o vento é dubio no seu redopio
Qem sabe se o tempo fosse eterno
Do pequeno grão brotasse o ser

De mão estendida imploro à vida
Que seja breve depois da curva
Não vá o vento entorpecer.



Poesia falada, Mulher Alentejana.