quinta-feira, 24 de maio de 2018

Lembranças...


Não sei se é o tempo que é picuinhas.
Ou se o momento perdeu caducidade.
Nem sequer sei se é tua ou minha a verdade.

Dizem que a água mais pura mata a sede com vontade
e que o sol aquece a alma.
Dizem que o tempo tudo esquece e que frio é passageiro.
Dizem… Dizem!

Foram tantas as palavras em contramão.
Tantas as vontades naufragadas.
Tanto medo!... E a saudade secumbe
às mãos da ilusão.

Não sei, nem sequer quero saber a cor da terra,
no dia em que a vida for um sopro.
Até lá: correm as ideias desvairadas…
As mãos buscam o coforto de outras mãos.
E o corpo já esqueceu a dor.

Não sei se é o tempo que é picuinhas…
Se sou eu que acredito em pirilampos…
Mas sei que ele é o manto
que apaga dos dias a lembrança!


Miragem...


Correm os dias ao sabor do vento.
Para tras a memória daquilo que não é.
Gasta a ilusão sem qualquer visão.
Mas as asas são fracas e o credo é de barro.
Até as lágrimas secaram e o sol empurra o escuro…
Enquanto o coração se abre sem banzé!

Que é feito de ti, sonho que desconheço.
Que é feito das promessas e das noites de luar.
Que é feito da vontade… ou do vagar.
Se corres apressado e nem te apercebes.

Grita o silencio nos olhos cavados.
O amor empurraste para a tumba fria.
Mas não reparaste tal foi a correria!...

Nada restou… foi só tempo perdido.
Gritam as paredes à tua pasagem:
O rei vai nu… ou será miragem.



Beato Salu, Um quase Conto de Natal

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