sexta-feira, 19 de julho de 2019

Beijo o teu rosto…


Beijo o teu rosto como quem beija o infinito.
Contemplação furtada ao ser
imperfeito.
Ao receio de perder
insuspeito
é o sonho de acontecer.

Beijo o teu rosto antevendo o outono
nas chuvas de verão
acariciando a memória
de um porto de abrigo
trancado à solidão
do dia.

Sim!...
Beijo o teu rosto
num sorriso atrevido
a esta espera cativa
à esquina da vida.💋


sexta-feira, 28 de junho de 2019

O amor é a lua no mês de junho…


O amor é a brisa nos dias de soalheira,
luz indomável, barco atracado, estuário
de um rio de águas calmas. Será precisa
a firmeza quando o arcaico é passado.

É a rutura entre o que foi, ou é a hora
certa para suprimir ao tempo o pranto.
O amor é a lua no mês de junho, é música.
Canto das cigarras no mês de agosto.

É ternura, entrelaçada com a certeza…
Tudo vai e tudo volta. Porém a beleza
está no despertar de mais um dia.

Quem diria!... Que a ocasião mata a razia.
Que as nuvens e até a forte ventania,
cedem ao que o tempo traz com leveza.



Resto ou rosto da utopia…


Há uma clemência submissa,
encobre a cegueira.
desvirtua o presente,
faz do receio um rio.

Morrem os peixes
defeca a espera
empurra a má sorte.
por caminhos nunca vistos.

Só os poetas são a melodia
desafinada
desencontrada
num tempo sem base.

Ah, como pesa o reboliço
em que a alma se encontra.
Como chora essa alma
o coração
a ilusão.

Quietude intempestiva.
Melodramática atitude.
Resto ou rosto
da Utopia…





sábado, 15 de junho de 2019

Caprichos da vida…


Disfarças o tempo em bandeja de prata.
Largas os sonhos num cofre de cetim.
Olhas o amor do alto de uma escarpa.
Vives na ilusão que não chegará o fim.

Corres apressado e omites que a estrada
é traiçoeira. Sim, ou Não. Porque, Sim!...
Sim. Nela o prenúncio é baliza frustrada.
É o tempo a dizer que acabou o festim.

Talvez desejasse que a mente albergasse
uma réstia de luz, ou um pouco de paz.
Quiçá quisesse que o tempo desistisse…

São caprichos da vida, ou ilusão mordaz.
Se o que pesa nos ombros é o interesse
domado pelo ego, corta como tenaz.



segunda-feira, 10 de junho de 2019

Dez de Junho...


Não sei de caravelas nem de gigante.
Perdeu-se a vontade e até a saudade
é uma certeza cruel, sentir gritante,
imunidade num tempo sem verdade.

Dizem, sei que dizem que a realidade
não é desejo, nem solfejo. O mar é gente.
É fado!... Ou então deve ser semelhante
à cova rasa de onde emerge a fria sorte.

Povo de pés descalços. Olhar de frente…
Grita, grita como quem beija. Mas cala!...
Calas como quem chora, povo emergente.

Não sei… ou sei… e saberei, novamente.
Que hoje, Dez de Junho, o grito é a alma
tresmalhada, remando contra a corrente.



sexta-feira, 7 de junho de 2019

Cegueira...


A saudade é larga num terreiro de pedra,
o preço é o peso sem partida,
choro em dia de inverno,
inferno sem memória, espinha dorsal
à deriva.

Para que grito, se o grito morre,
preso nos confins do universo.
Para que sonho se até o sonho
é remoinho a céu aberto.

Mendigo o pão, um olhar,
a descoberta.
Imploro um sorriso
fresco de criança
a quem passa.

Vontade sonolenta
na sonolência do dia.
Na frieza da cegueira.
Na correria apressada…
Cega a quem morre na calçada!...



sexta-feira, 17 de maio de 2019

Estilhaços...


Sei que posso tirar aos dias o peso e o silêncio.
Nuns minutos de sol o chilrear dos pássaros.
Sei que posso tirar às dores e ao olhar o frio…
O peso dobrado, a indiferença. Nuns abraços.

Sei que posso gritar mas prefiro este vazio!...
Próprio ao andar apressado…sem espaços;
nem grilhões. Como é triste o rodopio…
Dias em correria… Pelo caminho estilhaços.

Os meus estilhaços. Dos outros… posso bem!...




terça-feira, 16 de abril de 2019

Limite...


Quando o tempo te afirma que está no limite.
Que a força imposta é usurpada sem virtude.
Que a onzena é servil engasgar que omite.
Uma realidade ancilar e o (copo) só ilude.

Quando tudo te diz que a essência é calcite.
Mineral dissolvente em águas sem açude.
Que o esforço é supremo e o dia é enfeite.
Que a quimera é cega… Definha sem atitude.

Quando tudo te diz além está o momento...
Ao virar a página… O caminho é a meta.
Os tempos são ocres, o proveito é cinzento.

Quando tudo te diz que o fado é faceta.
Estultificada pelo inexato argumento...
É porque tudo é (perfeito) e o meio… Proxeneta!




quinta-feira, 4 de abril de 2019

Ilusão de que sei…


Leio os poemas de vidas; Inertes.
Penso comigo…
Como comungam as dores.

Leio os poemas sem vida.
Interesse extraviado.
Despidos dos outros.
Retalhos de auto estima.
Impressões, fundamentações Inacabadas,
ao alheio.

Leio os poemas e escrevia tudo ao contrário.
Atrevimento de quem se acha, (im) Perfeitinho.
Leio os poemas…
Os poemas dos outros

e releio em mim a dúvida.

Dúvida!...
Indevida.
Palavra singular cujo significado…
Vacila.
Dúvida; de quem é a dúvida
sem fazer melhor.
Leio os poemas com olhos, cegos.
Cega na ilusão de que sei.



Sou um ser campestre…


O silêncio suporta no colo a incerteza.
Os dias; de um desapego astuto, são
grinaldas de flores, murchas, pela destreza
com que omito a saudade no coração.

Dizem as horas que na correnteza
correm percalços e a imaginação…
Do que era, do que não foi!... A frieza
está no vento… já não corre de feição!

Que é feito de ti nessa colina, agreste.
Que são dos teus passos na urbe, eterna.
Que é da minha alma… Sou um ser campestre.

Perdida num labirinto, ou numa esquina;
busco a paz que não tenho, omito o cerne…
Quem me rouba esta esperança, franzina.




sexta-feira, 15 de março de 2019

Andei pela cidade...


Andei pela cidade ao encontro do sol…
As ruelas alongaram os braços ao meu passar.
As Pedras são as mesmas… as Esquinas… acomodadas
nas fachadas mais velhas!...

As janelas de vidros partidos; acho que choraram.
Talvez recordassem uma criança esguia.
Os telhados são o berço de pombos vadios.
E os beirais o trapézio dos pardais.
As chaminés… as sentinelas através do tempo.

Andei pela cidade e senti falta de sorrisos.
Tudo o resto lá estava…
Como se o tempo tivesse parado.

Andei pela cidade e não me encontrei!...
Nas costas curvados dos velhos habitantes.



Beijo o teu rosto…

Beijo o teu rosto como quem beija o infinito. Contemplação furtada ao ser imperfeito. Ao receio de perder insuspeito é o sonho ...