sábado, 15 de junho de 2019

Caprichos da vida…


Disfarças o tempo em bandeja de prata.
Largas os sonhos num cofre de cetim.
Olhas o amor do alto de uma escarpa.
Vives na ilusão que não chegará o fim.

Corres apressado e omites que a estrada
é traiçoeira. Sim, ou Não. Porque, Sim!...
Sim. Nela o prenúncio é baliza frustrada.
É o tempo a dizer que acabou o festim.

Talvez desejasse que a mente albergasse
uma réstia de luz, ou um pouco de paz.
Quiçá quisesse que o tempo desistisse…

São caprichos da vida, ou ilusão mordaz.
Se o que pesa nos ombros é o interesse
domado pelo ego, corta como tenaz.



segunda-feira, 10 de junho de 2019

Dez de Junho...


Não sei de caravelas nem de gigante.
Perdeu-se a vontade e até a saudade
é uma certeza cruel, sentir gritante,
imunidade num tempo sem verdade.

Dizem, sei que dizem que a realidade
não é desejo, nem solfejo. O mar é gente.
É fado!... Ou então deve ser semelhante
à cova rasa de onde emerge a fria sorte.

Povo de pés descalços. Olhar de frente…
Grita, grita como quem beija. Mas cala!...
Calas como quem chora, povo emergente.

Não sei… ou sei… e saberei, novamente.
Que hoje, Dez de Junho, o grito é a alma
tresmalhada, remando contra a corrente.



sexta-feira, 7 de junho de 2019

Cegueira...


A saudade é larga num terreiro de pedra,
o preço é o peso sem partida,
choro em dia de inverno,
inferno sem memória, espinha dorsal
à deriva.

Para que grito, se o grito morre,
preso nos confins do universo.
Para que sonho se até o sonho
é remoinho a céu aberto.

Mendigo o pão, um olhar,
a descoberta.
Imploro um sorriso
fresco de criança
a quem passa.

Vontade sonolenta
na sonolência do dia.
Na frieza da cegueira.
Na correria apressada…
Cega a quem morre na calçada!...



sexta-feira, 17 de maio de 2019

Estilhaços...


Sei que posso tirar aos dias o peso e o silêncio.
Nuns minutos de sol o chilrear dos pássaros.
Sei que posso tirar às dores e ao olhar o frio…
O peso dobrado, a indiferença. Nuns abraços.

Sei que posso gritar mas prefiro este vazio!...
Próprio ao andar apressado…sem espaços;
nem grilhões. Como é triste o rodopio…
Dias em correria… Pelo caminho estilhaços.

Os meus estilhaços. Dos outros… posso bem!...




terça-feira, 16 de abril de 2019

Limite...


Quando o tempo te afirma que está no limite.
Que a força imposta é usurpada sem virtude.
Que a onzena é servil engasgar que omite.
Uma realidade ancilar e o (copo) só ilude.

Quando tudo te diz que a essência é calcite.
Mineral dissolvente em águas sem açude.
Que o esforço é supremo e o dia é enfeite.
Que a quimera é cega… Definha sem atitude.

Quando tudo te diz além está o momento...
Ao virar a página… O caminho é a meta.
Os tempos são ocres, o proveito é cinzento.

Quando tudo te diz que o fado é faceta.
Estultificada pelo inexato argumento...
É porque tudo é (perfeito) e o meio… Proxeneta!




quinta-feira, 4 de abril de 2019

Ilusão de que sei…


Leio os poemas de vidas; Inertes.
Penso comigo…
Como comungam as dores.

Leio os poemas sem vida.
Interesse extraviado.
Despidos dos outros.
Retalhos de auto estima.
Impressões, fundamentações Inacabadas,
ao alheio.

Leio os poemas e escrevia tudo ao contrário.
Atrevimento de quem se acha, (im) Perfeitinho.
Leio os poemas…
Os poemas dos outros

e releio em mim a dúvida.

Dúvida!...
Indevida.
Palavra singular cujo significado…
Vacila.
Dúvida; de quem é a dúvida
sem fazer melhor.
Leio os poemas com olhos, cegos.
Cega na ilusão de que sei.



Sou um ser campestre…


O silêncio suporta no colo a incerteza.
Os dias; de um desapego astuto, são
grinaldas de flores, murchas, pela destreza
com que omito a saudade no coração.

Dizem as horas que na correnteza
correm percalços e a imaginação…
Do que era, do que não foi!... A frieza
está no vento… já não corre de feição!

Que é feito de ti nessa colina, agreste.
Que são dos teus passos na urbe, eterna.
Que é da minha alma… Sou um ser campestre.

Perdida num labirinto, ou numa esquina;
busco a paz que não tenho, omito o cerne…
Quem me rouba esta esperança, franzina.




sexta-feira, 15 de março de 2019

Andei pela cidade...


Andei pela cidade ao encontro do sol…
As ruelas alongaram os braços ao meu passar.
As Pedras são as mesmas… as Esquinas… acomodadas
nas fachadas mais velhas!...

As janelas de vidros partidos; acho que choraram.
Talvez recordassem uma criança esguia.
Os telhados são o berço de pombos vadios.
E os beirais o trapézio dos pardais.
As chaminés… as sentinelas através do tempo.

Andei pela cidade e senti falta de sorrisos.
Tudo o resto lá estava…
Como se o tempo tivesse parado.

Andei pela cidade e não me encontrei!...
Nas costas curvados dos velhos habitantes.



quinta-feira, 14 de março de 2019

Dança suave…


Cativa está a mente… No ar a quietude!
Penso no amor, na vida por acontecer.
Sou pequenina e na alma a atitude…
É um moinho e as Mós sempre a moer…

Erguem no vento a poeira sem virtude.
Onde fica o sonho se tudo o que disser…
Pode ser a saudade e esta é Ataúde.
Leva na sombra até um simples querer.

Onde pára a paixão… O brilho no olhar.
Se o grito morre na garganta e a neblina
deixa o ar friorento e este meu pensar!…

É tábua rasa onde busco a luz divina.
Até as borboletas se atrevem a bailar
uma dança suave que a tarde ilumina.



quinta-feira, 7 de março de 2019

Estrelas sem palco...


Preciso de um beijo no silêncio amargo.
De um sorriso num abraço amplo.
Preciso de paz, de amor, de conversas…
Sem entraves!...

E tu:
Que precisas no ruído turbulento.
Quantos os sonhos perdidos sem sossego,
Ou os beijos gastos na maré de um mar revolto.
Quantos abraços perdeste por aí…

E tu:
Que olhas os poetas, os pintores… os sons vadios…
Quantos sonhos deixaste sem ensejo.
Quantas palavras ficaram por dizer.
Quantos sorrisos ficaram sem nascer.

E tu…
E eu…
Quantos são os passos trocados no desencontro
das estrelas que brilham sem ter palco.



As cores do arco íris que perdi


Sobrevivente de um amanhã que não existe.
O pensamento é furacão sem lei nem roque.
É filho erudito, melopeia manhosa com o seu brilho.
Madressilva; onde ao contrario da flor
as silvas são as dores sem parto e o frio…
Ai o frio; é um rio em busca de amor!

Olho os dias e as gentes e as coisas…
E as coisas são lousas, são o riso
sem o siso que vejo por aí.

O pensamento é mortalha… revolve as entranhas.
As cores do arco íris que perdi…
Num dia sem volta;
são a certeza das perguntas sem resposta.



Caprichos da vida…

Disfarças o tempo em bandeja de prata. Largas os sonhos num cofre de cetim. Olhas o amor do alto de uma escarpa. Vives na ilusão qu...