quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Raiz quadrada...



Talvez me ache a raiz quadrada
do tempo presente, sem tempo marcado.
Talvez me aches a multiplicação
de um caso falhado.
Talvez me sinta vazia por dentro
no centro peado, no oco gerado
de um caso tramado.
Talvez me vejas na projeção
de um desejo apagado.
Talvez eu seja o reflexo difuso
da tua mente
o desejo obscuro da incerteza
a vertigem escondida
o caminho perdido
a fonte sem vida.

Não!...
Sou a estrela mais pequena do universo
o calor de agosto
o luar de janeiro.
Sou o vento a bailar nas cearas
o suor do rosto, o som da água.
Sou o moinho e a Mós
a lonjura alentejana
num choro de mulher.
As cigarras.
as formigas no carreiro
o sobreiro.
Sou o povo e sou do povo
sou das gentes
sou da terra.
Sou da guerra sem ter armas
sou Palavra e o teu pior pesadelo…
São os genes da Palavra.



sexta-feira, 16 de agosto de 2019

No vento do sul...


No vento do sul
O sonho ao de leve
O momento tingido
Pelo sol de agosto
As flores da campina
Uma giesta brava
No vento do sul
A alma levita
Na brisa que afaga.

No vento do sul
Ao som do compasso
No restolho seco
O som de cigarras
No vento do sul
Os dias não passam
Nos ecos da história
A estaleca registe
À terra gretada.



quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Sem disfarce...


Mesmo que no sepulcro se afogue a Liberdade.
Não deixarei de lembrar à sombra das guilhotinas.
Os sonhos e a força da Palavra amordaçada.
Se o sol se tapar no horizonte e o medo se instalar
na madrugada, deixarei às Pedras o peso
das ideias, sem disfarce.




quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Emoção...


Se sorrir é porque as estrelas caíram
aos meus pés
os sentidos sondaram a emoção
e ao coração sobrou a vida.
Se sorrir é porque bom dia te direi...
Olhos nos olhos como manda o figurino
e o rio será a luz que vem do sol
a paz que vem de além
de entre a terra
do verde da serra
e da ilusão.



Motivo...


Preciso de paz como preciso de tempo
sonhar e ser.
Ser um ser Imperfeito
aos olhos alheios.
Um ser em que o Ser
não é só mais um atributo.
Ser o teu motivo para Sorrir.
O meu motivo para te Amar.
Preciso de paz na Paz que encontro
nos teus olhos!


Disfarce…


Se eu não te olhar com a leveza na alma…
O disfarce é o receio que não me vejas
para além da aparência.
Por mais que os olhos sorriam
caiu o meu ver na magreza dos dias
e a noite levou de vencida
como uma sombra mordaz.



sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Busca...


Repara… como o silêncio faz de nós, Imortais.
Perdido… num dia de outono fez de nós, Vendavais.
Na busca perfeita de um amor imperfeito
fez de nós… A pedra fria onde adormece o Sonho.

Repara… como o eco da alma é submisso à Vontade!
E os dias sempre iguais são sepulcro e ambição.
A certeza cinzenta que atormenta a ilusão.
O manto incolor da suprema vaidade.

Repara… como a auto-estima aniquila a mais pura paixão
e esta calma aparente é um manto incolor
esburacado e frio!...
A busca constante por um pouco de Amor.



sexta-feira, 19 de julho de 2019

Beijo o teu rosto…


Beijo o teu rosto como quem beija o infinito.
Contemplação furtada ao ser
imperfeito.
Ao receio de perder
insuspeito
é o sonho de acontecer.

Beijo o teu rosto antevendo o outono
nas chuvas de verão
acariciando a memória
de um porto de abrigo
trancado à solidão
do dia.

Sim!...
Beijo o teu rosto
num sorriso atrevido
a esta espera cativa
à esquina da vida.💋


sexta-feira, 28 de junho de 2019

O amor é a lua no mês de junho…


O amor é a brisa nos dias de soalheira,
luz indomável, barco atracado, estuário
de um rio de águas calmas. Será precisa
a firmeza quando o arcaico é passado.

É a rutura entre o que foi, ou é a hora
certa para suprimir ao tempo o pranto.
O amor é a lua no mês de junho, é música.
Canto das cigarras no mês de agosto.

É ternura, entrelaçada com a certeza…
Tudo vai e tudo volta. Porém a beleza
está no despertar de mais um dia.

Quem diria!... Que a ocasião mata a razia.
Que as nuvens e até a forte ventania,
cedem ao que o tempo traz com leveza.



Resto ou rosto da utopia…


Há uma clemência submissa,
encobre a cegueira.
desvirtua o presente,
faz do receio um rio.

Morrem os peixes
defeca a espera
empurra a má sorte.
por caminhos nunca vistos.

Só os poetas são a melodia
desafinada
desencontrada
num tempo sem base.

Ah, como pesa o reboliço
em que a alma se encontra.
Como chora essa alma
o coração
a ilusão.

Quietude intempestiva.
Melodramática atitude.
Resto ou rosto
da Utopia…





sábado, 15 de junho de 2019

Caprichos da vida…


Disfarças o tempo em bandeja de prata.
Largas os sonhos num cofre de cetim.
Olhas o amor do alto de uma escarpa.
Vives na ilusão que não chegará o fim.

Corres apressado e omites que a estrada
é traiçoeira. Sim, ou Não. Porque, Sim!...
Sim. Nela o prenúncio é baliza frustrada.
É o tempo a dizer que acabou o festim.

Talvez desejasse que a mente albergasse
uma réstia de luz, ou um pouco de paz.
Quiçá quisesse que o tempo desistisse…

São caprichos da vida, ou ilusão mordaz.
Se o que pesa nos ombros é o interesse
domado pelo ego, corta como tenaz.



Raiz quadrada...

Talvez me ache a raiz quadrada do tempo presente, sem tempo marcado. Talvez me aches a multiplicação de um caso falhado. Talv...