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Mensagens

Um pouco do teu tempo…

Peço ao tempo que me falta no tempo… Segundos ou minutos, diminutos, fugidios… Peço ao tempo um tempo sem tempo. A sonolência dos dias já de si arredios.
Peço meu amor um pouco do teu tempo. Nas mãos abertas há sinais escorregadios. E os meus olhos escondem até os suplícios. Num sorriso morno a lembrar que o tempo…
É o que fazemos dele… é rei e senhor. Labirinto, pôr-do-sol… o morno da manhã. É abismo, é barreira… insígnia sem qualquer cor.
Por isso peço ao tempo a cor de uma romã. O bater do coração, uma sombra… O teu amor. Se ao tempo resta a terra… um catre sem lã!...


Mensagens recentes

És o que pensas…

Olham com estranheza a mão gélida e nua. A lágrima que cai até pode ser rude. Mas os receios que vence são muralha. E na garganta um grito rouco é instante.
Tu, que esperas do ar que borbulha na água. Do vento que corta a serra e do verde… Estampado nos olhos de alguém. Crua!... É a ilusão. Um pouco das duas… é magnitude.
Pois será a força um pau de dois bicos. Será o receio um lago frio e pantanoso. Serão os olhares enganadores ou acríticos.
Serás o extremo um pouco ansioso… Não… és o que pensas em tempos sucintos. Só ao tempo deixas o seu olhar ardiloso.


Grito de liberdade…

Questiono sem resposta, a sua origem. Pergunto e torno a perguntar ao silêncio. Se o obscuro e esta negra fuligem. é fruto da mente ou apenas, compêndio.
Passa por mim em ansiosa vertigem!... Uma nuvem negra e com ela o mistério. Há esqueletos envoltos na fuligem O que leva a pensar: este caso é sério!
Questiono sem resposta, ou só eu atento… As trevas do passado estão vivas e pairam. Enquanto a terra chora no meu Alentejo.
O medo é sempre um pássaro agoirento. Então: porque temem, tronos que ruíram... Se um grito de liberdade é nascimento!



Devo estar louca...

Que tempo é este… que pomposo… o homem. Herói de um dia; rufia logo a seguir!… Exímio o jogo da dita, os lobos absorvem a dignidade. Inquiro: o que está para vir.
Num tempo diagonal e de passagem Parca a igualdade num meio sem sentir Os jornais advertem… olha a miragem. Enquanto as massas se limitam a sorrir.
Devo estar louca!... Louco é o poeta, insano. Mais louco é o meio que o rodeia e ainda assim: Os lobos copulam ao sol, mano a mano!...
Com a dignidade, em paridade… e por fim… Um ninho de vespa bate asas e o destino é a cruzada num país de farto festim.


Núcleo…

Voa pensamento!... Percorre caminhos intangíveis toca corações amargurados e leva nas asas um sonho alado…
Explode com o gelo permanente aquele; que embacia a janela da alma.
Corre… mas não esqueças ao correr que atrás ficou o núcleo. Nele nasceste e nele morrerás!


Instante…

Quem sabe sou eu que estou cansada. deixo sempre ao tempo o tempo certo. Por mais insidiosa que seja a estrada nas bermas há sempre algo de concreto.
Perene… a origem onde sacio a caminhada… Lá atrás está o momento a céu aberto e a seu lado a saudade enamorada, neutralizada pela luz fria do deserto.
A oportunidade quase sempre nos avisa. Nada acontece por acontecer… Indecisa é a inquietação no verbo agradecer.
Ah quantas são as sombras ao entardecer!... E mesmo assim reanimam até este escurecer, já que um instante na penumbra profetiza.






Batatas e batatinhas…

Uma batata em palito Diz agoniada à rodela O cozinheiro é maldito Fez do cardápio novela.
Não olhem para mim assim Que aquilo que vou contar É muito mais que rimar E quando chegar ao fim É que vai ser um festim Batatas a rebolar Também as há a fritar Outras estarão em puré E para agitar o banzé Uma batata em palito!...
É franzina a criatura Esturricada na ponta Mas é coisa de pouca monta E a culpa é da fritura Com ketchup em fartura Tem a vida resolvida Mas a batata empedernida Acordou enviesada E com postura deslavada Diz agoniada à rodela.
Tu que és de corte perfeito Redondinha, redondinha Não te quero para vizinha Por não te achar qualquer jeito A outra leva a mão ao peito E nem quer acreditar Que um palito a flutuar Está no meio da frigideira Mas que raio de brincadeira O cozinheiro é maldito!
Na hora de ir para a mesa É que foi a confusão Esbarraram no empadão E numa batata chinesa E por pouco a sobremesa Não abalroou o guisado Já que o palito endiabrado Aterrou nas pataniscas …