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Como me vês...


Vesti uma capa previsível… Fria e crua!
Com ela disfarço o silêncio que habita
no meu ser. Vesti… mas continuo nua.
Tremo de frio e mesmo viva estou extinta.

Corro… daqui e dali o som de uma falua…
Único habitáculo que o coração olvida.
Quimera esquecida, ou o mundo da lua…
De alma lavada, muito embora sucinta.

Como me vês… fado de um tempo perdido.
Rainha descalça de um prazo que não é meu.
Sentimento difuso… nenhures é sentido!...

Como me vês… irmão na saudade, proscrito.
É o verbo de um poema sem futuro ou véu.
Como me vês… mulher… ou um rosto polido.



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Só me resta gritar...

Não me peças silêncio nesta hora. Quando só resta o eco aos montes! As palavras são grinaldas de flores. E o silêncio atrofia.
Não me peças silêncio. Só me resta gritar, enquanto posso chorar.
O silêncio será senhor… Na terra coberta de cinza. Nas asas do vento voam gritos silenciados!… Não será a inercia… o mal? O eco pode ser medonho, mais cinza que a cinza. Mesmo, assim: Voará na voz dos vivos… Será dor, raiva ou impotência. Mas será a memória. Que os mortos deixaram antes de partir.


Desconhecido...

Não sei o que é isto!... Olhar no qual resisto. A voz que cala o peso dos passos ou a dor nas costas. Não sei o que é isto!... Olhar descrente sem querer desmente o riso dos lábios. Não sei o que é isto!... Isco mordaz um vil; tanto faz. Perfeita ilusão sem calos ou mão. Não sei o que é isto!... Ainda, assim, insisto nos olhos perfeitos. Nem sei que pensar!... Se é sonho adiado se é um caso tramado incuria perfeita de ser proxeneta nas trevas riscado.
Um gesto apagado do desconhecido. Sorriso torcista Malabarista Não sei o que é isto!

Ventania...

Pressinto no murmurar das árvores um choro, inaudível, parece rogar… Numa prece singela que lembram as dores. É quem sabe o prazer de ver o vento a passar.
Parecem gritar: olha o arco íris, as suas cores. As nuvens numa correria sem par. Olha o céu que testemunha os amores Do sol e da lua antes da noite chegar.
Pressinto no seu murmurar a solidão. E peço ao vento que seja ligeiro. Que te afaste de vez do meu coração.
Tal como o delas o meu choro é inteiro. Não tem medo do tempo em contramão. Nem da ventania se trouxer aguaceiro.